Planeta

30/01/2014 13h18

O primeiro país 100% sem agrotóxicos

Butão quer implementar política nacional orgânica

Por Nosso Bem Estar

FOTOFRITZ16/ ISTOCKPHOTO/ NBE
Butao agrotoxicos

País encravado entre a China e a Índia mantém tradições budistas

Imagine um país que ainda preserva suas florestas e tem 80% do seu território ocupado por elas. E também um país onde o principal indicador de eficiência das medidas governamentais seja a felicidade da população. Além disso, uma nação cujo povo tenta a todo custo, apesar de encravado entre os gigantes China e Índia, preservar suas tradições, intrinsecamente ligadas ao budismo. Estamos falando do Butão, cujo governo, além de surpreender o mundo há alguns anos com o índice FIB – Felicidade Interna Bruta –, em contraposição ao PIB – Produto Interno Bruto –, reforçou, recentemente, sua intenção em contribuir para a sustentabilidade do planeta.

O primeiro-ministro, Jigmi Y. Thinley, anunciou a Política Nacional Orgânica, que quer tornar, até 2020, o Butão o primeiro país do mundo com agricultura 100% orgânica. “Os produtores butaneses estão convencidos de que o cultivo orgânico ajuda a manter o fluxo de bênçãos da natureza”, disse Thinley, em seu discurso.

Um grande e correto passo já foi dado, ao se instituir o Ministério da Agricultura e Florestas. Ou seja, institucionalmente, cultivos e meio ambiente já caminham juntos por ali. Bem diferente do Brasil, onde temos o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério do Meio Ambiente para cuidar, entre outros assuntos, de questões agrícolas e ambientais.

O governo, liderado pelo rei Jigme Khesar Wangchukrei, decidiu inclusive eliminar, com o tempo, as importações de agrotóxicos e fertilizantes químicos da Índia. Decisão corajosa para um reinado de apenas 700 mil habitantes – ante 1,3 bilhão da China e 1,2 bilhão da Índia –, cuja base econômica é agricultura de subsistência; turismo e principalmente a venda de energia hidrelétrica para os indianos.

Para quem conhece o reino budista, decisões do gênero não surpreendem. Há alguns anos, por exemplo, o país baniu a compra, venda, fabricação e importação de cigarros. E baniu, em Thimpu, a capital, os semáforos, que não foram bem aceitos pela população, que reivindicou a volta do velho e bom guarda de trânsito. Segundo alguns, o oficial que monitora o vai e vem dos carros no principal cruzamento da capital é o personagem mais fotografado pelos turistas que visitam o país.

Embora seja um país pioneiro em medidas que vão contra a corrente mundial, e seja admirado por isso, o Butão enfrenta problemas internos.

A Felicidade Interna Bruta (FIB ou Gross National Happiness), apesar de ser uma genial sacada de marketing do pai do rei atual, que se difundiu pelo mundo – o próprio Brasil já discute a adoção de índices alternativos ao PIB –, enfrenta críticas internas, pois ainda persistem por ali carências sociais, educacionais e econômicas. E, falar do banimento dos agrotóxicos indianos é meio contraditório quando a invasão massiva da televisão do país vizinho é fato consumado.

Vale o pioneirismo do pequeno reinado de regime parlamentarista – instituído pelo rei anterior, pai do rei atual. Assim como muitos países têm se inspirado no Butão para adotar o FIB, poderiam muito bem refletir a respeito da conversão de seus cultivos para métodos mais sustentáveis.

Fonte: Orgânicos - www.organicosbrasil.wordpress.com 

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