Bem-estar

26/12/2017 06h30

Trauma Tem Cura

Conheça a SE (Experiência Somática), terapia que vem crescendo por ser uma forma simples de ajudar o organismo a se autorregular

Por Dra. Berenice Schmidt Rolim

Pixabay
M12 worried girl 413690 960 720

Recursos para enfrentar os problemas

Estamos cada vez mais familiarizados com o termo “Trauma” e suas consequências desastrosas no desenvolvimento de uma vida saudável. Sabemos que uma pessoa traumatizada não consegue perceber e resolver os “desafios normais” do cotidiano. Geralmente, ela se sente insegura e sem recursos para enfrentar os problemas.  

Isso se deve a mecanismos internos do nosso funcionamento psíquico que estão cada vez mais claros e compreensíveis pelas descobertas da Neurociência. Faz parte de nossa organização mental (Neocórtex), emocional (Sistema Límbico) e do funcionamento normal do Sistema Nervoso Autônomo (Cérebro Reptiliano). Quando estes mecanismos se integram, nos tornamos saudáveis e competentes. Quando estão dissociados, ficamos disfuncionais e pouco resolutivos.

Também já estão correlacionados os índices de traumas na infância com violência familiar e outros comportamentos antissociais na idade adulta. Isto nos faz perceber a importância de nos dedicarmos a esse estudo, atentamente, aprofundando a compreensão e promovendo formas terapêuticas para tratamento, tanto individual quanto coletivo. Esta é uma maneira de termos uma convivência em sociedade mais saudável.

As boas notícias são: Já temos uma compreensão bastante fundamentada do que seja um Trauma e como trata-lo com eficácia.

O Trauma é consequência de toda e qualquer situação onde o indivíduo não teve condições de enfrentar e solucionar, satisfatoriamente, recuperando seu estado de integridade física, mental, emocional e espiritual.

Ficam sequelas e um conteúdo psíquico – energético - bloqueado que impede, a partir deste momento, o acesso consciente das capacidades de resolução que já possuía e o desenvolvimento de novas habilidades. A pessoa “trava” na sua evolução pessoal ou fica muito limitada. Em vista disso, inicia um processo de intenso sofrimento psíquico/emocional e, muitas vezes, orgânico também. Há dores e doenças que aparecem depois de situações traumáticas e dificilmente desaparecem sem um tratamento psicoterápico associado.

Alguns sintomas de que já houve um trauma (*):

Nível Físico: Dores crônicas; tonturas, vertigens; desmaios; tensão muscular constante; formigamentos; enjoos; respiração rápida ou dificuldades para respirar; arrepios; transpiração fria e abundante; crises de pânico; pesadelos; insônia; cansaço; esgotamento; fraqueza; baixa da libido; paralisia e processos degenerativos.

Nível Emocional: Emoções imprevisíveis, irracionais e recorrentes como medo ou raiva; estados de ansiedade e pânico; sentimentos profundos de desamparo, abandono, desesperança e depressão; falta de confiança e autoestima; sentimentos de culpa; isolacionismo. Perda de interesse pela família e por coisas que antes gostava. Perda de interesse pelo trabalho (abandona as próprias capacidades).

Nível Mental: Confusão; desorientação; falta de atenção e incapacidade de fixar conteúdos; pensamentos negativos obsessivos; perda da capacidade de raciocinar; intolerância com as diferenças; incapacidade de tomar decisões; perda do interesse por ler ou estudar; cinismo; tendência a julgar e culpar os outros; crítica exacerbada.

Nível Comportamental: Incapacidade de manter-se funcional na vida cotidiana; comportamentos de risco, impulsivos ou apatia; vícios e uso de drogas; agitação crônica, incapacidade de ficar quieto; reações exageradas de alerta; relações tensas com violência doméstica; perfeccionismo ou comportamentos obsessivos na tentativa de manter algum controle.

Nível Social: Isolacionismo; ódio e raiva contra a sociedade; desconfiança ou aversão às pessoas; ligação com movimentos extremistas; radicalismo de pensamentos e atitudes.

Nível Espiritual: Perda do sentido da vida; desesperança quanto à Humanidade; descrença ou rejeição a Deus; orgulho e arrogância espiritual, demonstrando falta de sensibilidade e compaixão; abandono de práticas religiosas ou fanatismo.

Em crianças pequenas: Distúrbios do sono; agressividade; comportamentos regressivos; impulsividade; hiperatividade; dificuldades de concentração e aprendizado deficiente; retraimento.

            Felizmente existem várias técnicas psicoterápicas para tratamento do Trauma. Atualmente a SE (Experiência Somática) vem ganhando espaço por ser uma forma simples de ajudar o organismo a se autorregular. Ela pode ser aprendida com relativa facilidade, tanto por adultos quanto por crianças. Pode ser usada individualmente ou em grupos e já tem demonstrado resultados surpreendentes.

(* Extraído do livro “Do Trauma à Cura” de Gina Ross)

Dra. Berenice Schmidt Rolim é Psiquiatra, Psicoterapeuta, Terapeuta Sistêmica de Família e Casais; Homeopata e Terapeuta Floral

X